A Máfia Romena Protege os Bovinos?

Segundo consta, o velho Bismarck dizia que, se as pessoas soubessem como são feitas as salsichas e a política, ninguém acreditaria nelas. Atualmente, porém, o aforismo se estende a outros alimentos, pois ficamos sabendo que os europeus estão comendo gato por lebre, ou melhor, carne de cavalo como se fosse bovina. Primeiro, o hambúrguer e a carne prensada, e agora, uma famosa marca de lasanha, cujo recheio, quando vivo, não mugia, mas relinchava.

A empresa responsável diz que considera o problema grave, pede desculpas aos consumidores e oferece reembolso pelos produtos adulterados. Afirma que, em princípio, não há risco à saúde, mas nenhuma palavra sobre danos morais.

O negócio funciona mais ou menos assim: a distribuidora da lasanha equina é outra dessas marcas antigas, porém hoje sem identidade, nas mãos de grupos financeiros que só enxergam lucros de curtíssimo prazo. Então, encomenda os produtos a terceiros, sempre em busca do menor preço. E os terceiros, sem margem de manobra, vão atrás dos ingredientes mais baratos, onde quer que seja. No caso, carne adquirida junto a um obscuro fornecedor romeno, via um trader cipriota…

Nessa logística sinuosa, os custos têm que ser reduzidos de qualquer jeito, e por isso a distribuidora não se importa com a procedência da matéria-prima e nem avalia a qualidade do produto final. Apenas pressiona as contratadas e fecha os olhos para o resto. Se as não-conformidades passarem desapercebidas, ótimo. Mas, se alguma irregularidade for detectada, tal como ocorreu, os proprietários da marca transferem aos fornecedores toda a responsabilidade. Dizem que foram traídos, cancelam contratos e prometem investigações. Nas semanas subsequentes, o marketing e as campanhas publicitárias apagarão os vestígios da desonestidade, até que um novo escândalo ocupe as páginas da mídia. No fim das contas, os cavalos relincham (antes de serem abatidos) e a caravana passa.

Ante a negligência dos empresários e a omissão das autoridades, há quem culpe a máfia romena pela cavalice toda. Eu, porém, prefiro culpar os homens e mulheres que, a salvo de qualquer sanção legal, movem-se livremente no Estado e nas corporações, corrompendo a comida, a sociedade e a natureza, em nome do capitalismo parasitário que domina o mundo.

Dessa vez, pelo menos os bois e as vacas se safaram.

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