Tiro ao Alvo Intelectual

Finalmente, estou lendo um ótimo livro comprado há meses, sobre o “problema do caixeiro viajante” (http://www.amazon.com/Pursuit-Traveling-Salesman-Mathematics-Computation/dp/0691152705/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1362770198&sr=8-1&keywords=william+j.+cook). Uma obra informativa e divertida, sobretudo para quem aprecia a beleza da matemática e da computação aplicadas. Ademais, traz muitas estórias inspiradoras, dentre as quais a que reproduzo a seguir (p.94-95).
Conta-se que George Danzig, célebre matemático estadunidense, cursava o primeiro ano de doutorado na Universidade de Bekeley, em 1939. Um dia, entrando na sala atrasado, copiou às pressas dois problemas que estavam no quadro e continuou assistindo à aula. Na semana seguinte, levou ao professor a solução dos dois problemas que copiara, pensando tratar-se de exercícios rotineiros. Na verdade, eram dois problemas de estatística anteriormente não resolvidos, que o professor havia apresentado aos estudantes… Incidentalmente, esse “dever de casa” acabou se transformando no núcleo da tese de doutorado de Dantzig.
Esse relato fascinante nos faz pensar sobre como encaramos os desafios intelectuais. Se o jovem doutorando, embora talentoso e capaz, soubesse como os problemas do quadro eram considerados difíceis, talvez nem tentasse resolvê-los ou, pelo menos, não os abordaria com a despreocupação com que se aborda um dever de casa qualquer. Claro, Dantzig não teria realizado a façanha se não tivesse o repertório técnico necessário. Por outro lado, não mobilizaria o seu repertório se desanimasse por antecipação.
Às vezes, não sabemos se o nosso repertório é suficiente para resolver determinado problema. Nesse caso, só vamos saber tentando. Nesse ínterim, refinamos a técnica, manejamos ferramentas e sedimentamos conhecimentos. Se não tentamos, não progredimos. Perseverando, podemos até mesmo desbravar caminhos novos.
Na matemática e na computação (como em outras áreas do saber), mesmo quando não encontramos a solução desejada para determinado problema, o esforço para resolvê-lo frequentemente se paga por meio da solução de problemas correlatos – mais ou menos como no dito popular: você “atira no que vê e acerta no que não vê”. Portanto, devemos sempre aprimorar o nosso repertório intelectual e nos debruçar sobre problemas interessantes, já resolvidos ou não. Dessa forma, se não acertarmos os alvos escolhidos, acertaremos outros. Não por sorte, mas como recompensa pelo esforço empreendido.

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